sábado, 2 de maio de 2009

Porém

Da misantropia exacerbada
inicio minha vida.
E termino em pequeno
caminho desprovido
de luz e sigo.
Não faço parte disso
e desisto de encontrar
a semi-parte concêntrica
do escuro céu celeste
que permeia os olhos, todos teus,
invisíveis, nunca existentes.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Do isolamento

Da distância vejo o início, irrealizável início. Será se me tranco ou me elevo? Em total desarmonia com meu eu, vejo o início, inalcançável início. Pago o preço de um isolamento prévio? Quero buscar, ir atrás, me envolver nos braços do começo. Do verme que fui ao esconder na terra, agora posso comer o alface que saíste desta e respirar o ar, mesmo que impuro, da resolução.

Na terra me escondi por ter medo da seqüência de fatos que poderiam se suceder. Da terra me alimentei e me prejudiquei, me intoxiquei e eliminei uma parte de mim. Da mudança quero tomar, na discórdia que enaltece todos os caminhos possíveis de acontecer, tomo uma direção e escolho um caminho e tento seguir.

Agora tenho o ar e não a compressão fóbica da terra. Agora que me sobram escolhas, sem angústias, com precedência vejo ao longe através do invisível e da fácil compreensão do ar, que antes a liberdade terrena me soterrava com seus grãos, onde me esmagavam e não me deixavam enxergar, o caminho. Existo e me direciono para agora o compreensível.

Tão leve fica através da existência agora vivida, mudar sua essência e encontrar algo para qual se direcionar e não se calar.

domingo, 19 de abril de 2009

Plágio da pura incapacidade

E naquele dia imaginei minha face esfolar na parede descontrolada por onde o trem passava e pelo qual estava protegido pelo vidro e alguns centímetros de distância. A velocidade e o som me impeliam a aproximar e sentir a face desgrudar, a pele se desfazer, o sangue espirrar e a dor sumir. A falsa proteção dos trilhos e toda bobagem da não-aproximação até chegar ao fim do concreto erguido e um túnel gigantesco com trilho por todos lados me trazer o vazio.

Estou de pé e o som assustador se aproxima, abafa tudo ao redor. Enquanto o som aumenta denunciando sua aproximação me vejo pisando na faixa amarela, olho para frente. E quando o som desaparece, percebo o ataque sorrateiro. De repente, uma sucessão de metais e vidros passam pela minha visão. Abrem-se as portas, eu entro.

Olho pela janela o reflexo de todos a minha esquerda. Se olho para fora, vejo dentro. Se fecho os olhos o que está fora insiste em aparecer. Abrem-se as portas, eu saio.

Pego os trens na mão. Se eu descarrilho, o sangue espatifa. Se desmaterializo na outra estação, teletransporte. Tudo tende à destruição, se caracterizando pelo uso com objetivo para um fim ou para um meio.

E por fim, questiono assim, um clichê esperado: o objetivo que eu procuro justifica as dores que sinto e faço sentirem os outros no intermeio de toda essa ação? Eu mesmo responderei não, e digo mais, o meu sangue se misturaria com o dos outros e essa mancha seria permanente.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

tava pensando em escrever de outra forma em outro blog

sábado, 7 de março de 2009

desilusão
distância
depressão

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Algum começo que se encontra no desenvolvimento reminiscente do fim

De alguma forma parece que tudo se ordena depois do caos. E estabiliza e não sei. Mas faz bem, quando explode a bomba e queima tudo, arde todo o corpo e as costelas. E depois continua queimando até se acalmar e sumir toda dor. E toda aquela leveza e ausência de massa, de matéria, de corpo vem e fica.

Nada mais asfixia, é uma beleza como se sente depois do caos. A tristeza é normal, mas é tão leve, ínfima, quase-inexistente, microscópica, quarkiniana e a vida passa, tudo se vai, e esvai e some. Então os olhos fecham e formam dois arcos e um sorriso na boca outro arco, os dentes pouco aparecem, mas essa sensação é tão boa. Uma emoção única de que tudo ficou e se queimou, se foi e esterilizou em chamas.

Então bebe a água fervendo que desce e queima tudo dentro.

Eu sonho muito e vejo tudo escrito a tinta no papel amontoado em uma sala e cuspo o fogo. Chamusca os papéis e queima, sobra cinzas e pequenas partes irreconhecíveis. Sobra a leveza, uma vida existência reconhecidamente leve. Como é bom, tudo isso, a falta de tudo.

2:03

De repente uma sensação de fraqueza. Tudo estala nos olhos e insistem em abrir e fechar. Como se segurassem uma dor, ou talvez um líquido que cai e se espalha e tem que sair e pisca-pisca, os olhos ficam vermelhos. Então a visão não é a mesma e tudo fica opaco ou desce uma neblina que insiste em aumentar e tudo fica claro, muito ruim, que faz quase não poder enxergar. No corpo a sensação é arrepiar e aquela grande tristeza faz tremer um pouco. Vê as horas: 2 horas e 3 minutos. E pensa o que eu to fazendo nesse quarto escuro, por que não vou pro mato naquele verde ou no céu azul? Seria bom tudo a sensação, seria um prazer e tanto deitar na grama e olhar o azul com nuvens, não muito sol, tem que ser um tempo agradável. E alguma garota, aquela com sorriso bonito e olhos que cintilam como estrelas bem acesas e ainda muito vivas que vão só morrer daqui há milhões de anos e piscam-piscam e sorri, acha graça do que acontece: re re re re. E o movimento dela é bonito, o jeito dos braços e o de me mostrar as coisas, a flor bonita, aqui você tem todas flores que quiser: vamos andar. E o jeito dela andar e me olhar enquanto falo algo e depois ela fala e a voz entra nos meus ouvidos, uma sensação muito boa perpassa por todo eu e tremo. Olho os pássaros que voam e tremo. Vejo as flores nas árvores e tremo. Vejo a imensidão de tudo e tremo. Ela se afasta de mim e vai andando e entra no meio da imensidão, das árvores e se vai com os passarinhos, então vejo os olhos brilhando e ouço o sorriso e tudo mais fica longe ou tão escuro que me perco. Ando na escuridão e vejo nada, tô perdido, tô perdido. Tateio a minha frente e caminho, que desespero. Do escuro vai ficando claro, a neblina vai aparecendo e os meus olhos se contraem vermelhos e seguro todo aquele chororô e a água que sai e desce pela face não acontece. Volto ao escuro e tudo passa, sorrio não sei porquê. Toda sensação foi tão boa, pode ser triste por não ser real, mas pareceu tudo real e feliz e tão bom e me faz sorrir agora. Depois isso tudo me inspira e faz de um jeito bem e me faz arrepiar os pelos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

filhos do futuro, dejetos do passado

só pra deixar marcado

domingo, 8 de fevereiro de 2009

meus olhos já não são mais como antes
queimam com as cinzas que caem dos céus
ferrugem que forra e o vento que leva
uma vida desaparecendo aos poucos
das lágrimas dos meus olhos vermelhos
da minha vida azul

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

fuck depression

pain isn't real