quarta-feira, 26 de março de 2008

A única certeza que eu tive foi de quem eu gostei, pois nunca estive certo de quem nutrisse os mesmos sentimentos por mim. A maior parte da minha vida eu vivi em minha mente; quase nunca levei meus pensamentos para fora da minha cabeça, o caminho do meu cérebro para minhas cordas vocais sempre eram impedidos por um não. Então me tornei aquele que não contesta através da fala, mas que tem uma contestação infindável dentro do seu crânio e que acumulou-se o bastante para sentir a pressão dos pensamentos presos. Eu dificilmente consigo me aproximar das pessoas, e agora sofro por ser assim; pensei que eu era anti-social, mas na verdade sou ao contrário, eu necessito das pessoas. Eu deixo pessoas que gosto passarem por minha vida, e acabo não conhecendo pessoas que eu julgo interessantes; é como se o sol elevasse do horizonte e seus raios cortassem as nuvens através de pequenas frestas, e enquanto isso eu olho para uma tela branca com um quadrado preto em seu meio.

domingo, 2 de março de 2008

A minhas incertezas se penduram nas minhas certezas, pendendo e caindo para um lugar tão fundo que não consigo imaginar.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Meus pensamentos estão tão próximos de você

Mas eu tão longe de estar ao seu lado

sábado, 22 de dezembro de 2007

Palavras sobre morrer ou viver

Por que tem que tudo ser assim? Eu preferia estar sozinho. Morrer. Sozinho. Levar minha alma com meu corpo. Meu corpo com minha alma. Com alma ao corpo. Sair dele. Não existir palavras, nem frases. As que machucam, as inventadas, as que aumentam. Acrescentando palavras em frases. Tornando elas trágicas. Exagerando. Morrer ou viver. Não pergunto, apenas afirmo. Mal sabem todos o que penso. Eu não quero briga, eu não quero briga. Só quero ficar aqui com minha alma. Pode ser nesse canto. Não quero levar ela. Não me faça levar ela. Minha cabeça dói com tanta informação. Preciso respirar, pensar, arejar, descansar. Não mais cansar. Pára de falar, é muita informação. Devagar. Minha alma vai devagar indo. Gostaria de ter alguém que quisesse me ver sorrir. Que quisesse me ver até chorar. Eu daria minha atenção para essa pessoa. Minha alma a envolveria. Duas almas juntas, descansando. Sem frases exacerbadas. Frases com nenhuma palavra a mais e nenhuma a menos. E nossas almas sorririam. Sentimentariam. Seriam algo a mais. Completo, eu estaria, você estaria. Ainda quero ter esperança. Esperar a esperança. Ou com a alma voar pelos céus, passar por nuvens, pensar em você, ter alguém pra me ver sorrir. Eu sei que você está aí, em algum lugar. Espero te conhecer. Escolho viver.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Não tenho auto-estima pra escrever algo e mostrar pra alguém. Não tenho auto-estima pra gostar do que eu faço, nem pra fazer algo novo. Não tenho saída na minha cabeça. Não começo nada e nem termino. Não tenho auto-estima pra falar que eu gosto de alguém. Não tenho muitas palavras pra dizer. Nem pra escrever. Não tenho sentido. Não tenho vida pra ter morte.

sábado, 20 de outubro de 2007

em meus olhos
eu tinha você lá
apenas em meus olhos

agora você há de estar
em minhas lembranças
onde meus dias podiam ser felizes

mais do que em meus olhos e memórias
eu queria ver o mesmo que você agora

terça-feira, 16 de outubro de 2007

lá vai mais um sem dó
matando um ou dois
coração impuro
se esquece
do que
fez

domingo, 14 de outubro de 2007

Em uma casa perto de você

Pouco tempo foi aquele tempo, 2 segundos, quem sabe? Disse tchau, saiu. Não fui atrás. Sem ânimo. Agora eu deixo tudo ir. Tudo? Como se eu tivesse muita coisa. Na verdade, eu não tenho nada. Mas quero pensar que tenho. Mas nada é meu. O que eu falo que é meu, não pode ser de ninguém. Nem meu. Mas agora isso não interessa mais. Estou sentado no sofá, me afundando em mágoas. Agora lá vem muito tempo, tanto tempo. Não dá pra contar nos dedos. Dias. Meses. Anos. Caramba, lá vem mais coisa. Outro sofá agora. Um novo sofá. Sento, a tristeza me afunda. Já ficou velho. Não precisa mais trocar de sofá. Deixa como está. Tem a minha cara. Mas quem vai ligar para isso? Ninguém. Não sou nada independente. Já tentei ser.

Andei pela calçada despreocupado. Fingia estar tranquilo, sem problemas. Sem destino. Não aconteceu nada de diferente. Então cheguei em casa. Meu destino. Ah sofá, quanto tempo! Sofá velho. Eu não estou tranquilo. Pareço não me preocupar, mas eu estou preocupado. Eu tenho problemas. Mas, quem não tem?

Agora o sofá andou, saiu pelas calçadas. Atravessou a rua. Foi atropelado. Hospital. Foi consertado. Encontrou amigos, estava feliz. Não voltou mais. Agora eu sento no chão. Encosto em uma parede, enquanto olho para outra na minha frente. Parede, por favor, não me deixe cair totalmente!

sábado, 6 de outubro de 2007

nota mental:
exposição cerebral

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

estou caindo

não há mais um dia
que eu esteja bem
eu caio facilmente
eu não quero
mas eu vou
passo do chão
até que eu
me deixo cair totalmente
agora não sei como sair
parar com isso
e de alguma forma
viver

eu estou caindo
não passo de um verme
jogado pela janela da cozinha
onde vive sua liberdade
apenas alguns segundos
e seus pensamentos de pouco valor
levados pela garoa de manhã