Em dois quadros
muito menos que um segundo
eu sou todos os defeitos
desse mundo
defeitos que você não quer ter
e que você nunca vai querer
nesse mundo
eu não tenho feitos
nem por um segundo
em um filme não gravado
fui o cenário não usado
enquanto o seu sorriso
se confundia com a luz
que invadia o mundo todo
terça-feira, 29 de abril de 2008
Vento
Caminhei até o banco mais alto, não era meu lugar preferido, sempre gostei de me esconder atrás desses bancos mais altos. Mas, foi o primeiro que vi e que estava vazio; sentei. O vento batia em meu rosto e eu fechava meu olho direito dependendo da intensidade que ele vinha. E meus cílios foram levados, um a um, pelo vento, como a flor dente-de-leão. Meus cílios-de-leão foram levados pelo vento da tarde-móvel. Eles se perderam por ruas, não acharam em que coração cair. E meu olho se desmanchou em gotas que no asfalto foram sangue, minha visão não era mais a mesma. Em meu cérebro sopraram remorsos. O vento ainda batia em meu rosto e eu deixei levar parte de mim. Fui desaparecendo, quando o som seco do freio me fez levantar e deixar um pedaço da minha vida na fresta daquele banco.
sábado, 12 de abril de 2008
Como não ter medo de algo que você, de alguma forma, acha que vai ser inevitável acontecer? A permanência em uma solidão que não tem fim, onde os seus desejos nunca vão ser reconhecidos como sinceros, então nunca serão realizados. Onde olhares não bastam, porque o homem esqueceu isso; ele sempre precisa falar, as vezes, até demais. Esqueceu que a comunicação, nem sempre, é feita somente de palavras jogadas ao léu.
Será se a pessoa consegue continuar vivendo se não tem nem um pouco de esperança? Pois, todos têm um pouco de esperança, por mais que diga que não tenham. Só continua vivo aquele que acredita que algum dia a felicidade será a parte predominante de sua vida, se já não é. Minha vida seria até boa, se não me sentisse tão mal. Por que você ainda acredita nessas mentiras?
Acho que faço as questões erradas, e quero as respostas certas. Ou eu deveria parar de questionar e desistir de tudo. Cada dia mais eu me sinto desmanchar em cima do meu pescoço. Meu silêncio pode terminar com todas essas palavras, pois, venho a pensar, que essa é a melhor coisa que eu sei fazer.
Será se a pessoa consegue continuar vivendo se não tem nem um pouco de esperança? Pois, todos têm um pouco de esperança, por mais que diga que não tenham. Só continua vivo aquele que acredita que algum dia a felicidade será a parte predominante de sua vida, se já não é. Minha vida seria até boa, se não me sentisse tão mal. Por que você ainda acredita nessas mentiras?
Acho que faço as questões erradas, e quero as respostas certas. Ou eu deveria parar de questionar e desistir de tudo. Cada dia mais eu me sinto desmanchar em cima do meu pescoço. Meu silêncio pode terminar com todas essas palavras, pois, venho a pensar, que essa é a melhor coisa que eu sei fazer.
quarta-feira, 26 de março de 2008
A única certeza que eu tive foi de quem eu gostei, pois nunca estive certo de quem nutrisse os mesmos sentimentos por mim. A maior parte da minha vida eu vivi em minha mente; quase nunca levei meus pensamentos para fora da minha cabeça, o caminho do meu cérebro para minhas cordas vocais sempre eram impedidos por um não. Então me tornei aquele que não contesta através da fala, mas que tem uma contestação infindável dentro do seu crânio e que acumulou-se o bastante para sentir a pressão dos pensamentos presos. Eu dificilmente consigo me aproximar das pessoas, e agora sofro por ser assim; pensei que eu era anti-social, mas na verdade sou ao contrário, eu necessito das pessoas. Eu deixo pessoas que gosto passarem por minha vida, e acabo não conhecendo pessoas que eu julgo interessantes; é como se o sol elevasse do horizonte e seus raios cortassem as nuvens através de pequenas frestas, e enquanto isso eu olho para uma tela branca com um quadrado preto em seu meio.
domingo, 2 de março de 2008
domingo, 23 de dezembro de 2007
sábado, 22 de dezembro de 2007
Palavras sobre morrer ou viver
Por que tem que tudo ser assim? Eu preferia estar sozinho. Morrer. Sozinho. Levar minha alma com meu corpo. Meu corpo com minha alma. Com alma ao corpo. Sair dele. Não existir palavras, nem frases. As que machucam, as inventadas, as que aumentam. Acrescentando palavras em frases. Tornando elas trágicas. Exagerando. Morrer ou viver. Não pergunto, apenas afirmo. Mal sabem todos o que penso. Eu não quero briga, eu não quero briga. Só quero ficar aqui com minha alma. Pode ser nesse canto. Não quero levar ela. Não me faça levar ela. Minha cabeça dói com tanta informação. Preciso respirar, pensar, arejar, descansar. Não mais cansar. Pára de falar, é muita informação. Devagar. Minha alma vai devagar indo. Gostaria de ter alguém que quisesse me ver sorrir. Que quisesse me ver até chorar. Eu daria minha atenção para essa pessoa. Minha alma a envolveria. Duas almas juntas, descansando. Sem frases exacerbadas. Frases com nenhuma palavra a mais e nenhuma a menos. E nossas almas sorririam. Sentimentariam. Seriam algo a mais. Completo, eu estaria, você estaria. Ainda quero ter esperança. Esperar a esperança. Ou com a alma voar pelos céus, passar por nuvens, pensar em você, ter alguém pra me ver sorrir. Eu sei que você está aí, em algum lugar. Espero te conhecer. Escolho viver.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Não tenho auto-estima pra escrever algo e mostrar pra alguém. Não tenho auto-estima pra gostar do que eu faço, nem pra fazer algo novo. Não tenho saída na minha cabeça. Não começo nada e nem termino. Não tenho auto-estima pra falar que eu gosto de alguém. Não tenho muitas palavras pra dizer. Nem pra escrever. Não tenho sentido. Não tenho vida pra ter morte.
sábado, 20 de outubro de 2007
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