segunda-feira, 3 de novembro de 2008

5:25 janela, nenhuma pessoa
quero viver 5:26

domingo, 2 de novembro de 2008

vejo dois braços circundarem a mim.
(até aonde vão?)
pra todos os lados que luzes apontarem.
eu me despeço, aceno um adeus.

vejo duas almas se calarem,
onde luzes calmas as envolvem.

não vejo mais nada a partir de agora,
apenas em minha mente os seus olhos.
eu flutuo por corredeiras, não sei pra onde vão
tão violentas, vou como um errante
até o fim dessas águas.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

melodrama barato

tão só, eu nunca fiquei com você
bêbado em meus olhos lacrimejados,
não enxergava nem mais um palmo,
caido no meu próprio sofá
o quão triste posso ficar
nem mais eu sei



por que você é dona da madrugada
faz tudo acabar do nada

clareia o céu, assopra o vento

no cabelo traz as estrelas
são as últimas coisas que eu vejo

tudo se desfaz em milhões de formigas
no dia, no sol, girando os dedos

na luz vejo o pó gravitando no ar
se ligando em diferentes pontos

e não mais me espantam as estrelas
que acabam incendiando meu rosto

utopia

eu preciso voltar a escrever, estou desesperado.

Levantou-se e apenas levantou-se. As mãos na coberta. Olhou em volta, nada. Já andando pela sala, não sentia mais vontade em viver. Seria mentira se dissesse que em algum dia acreditou em um futuro grandioso. Não, não seria. Em algum dia ele acreditou que faria algo importante, que em algum momento no futuro chegaria no seu auge, no apogeu da vida, onde depois disso viria aos poucos o declínio. Mas, não acreditava mais nisso, estava já em seu declínio. A começar por não ter mais vontade pela vida, não ter mais vontade.

Sua perna paralisou, um dia desses, caiu de joelhos. Estava em sua casa, ninguém havia visto, mas se sentiu totalmente humilhado, o que antes vinha dos outros, a humilhação, veio de sua própria perna que o deixou cair, início da sua queda. Não conseguiu se levantar imediatamente, não sabia o que estava acontecendo. Até que com muito esforço ficou de pé, empalidecido, quase sem-força. Não podia mais acreditar em seu próprio corpo.

O passado o formou, ou o deformou, ou qualquer coisa que esteja ligado com seu desenvolvimento. As escolhas foram dele, escolhas em situações impostas pela vida. Não se mostrou um bom sobrevivente, talvez seria chamado de escória da humanidade. Ou talvez um pobre fracassado que não soube se impor. Então, ele não havia de reclamar. Apenas olhar aos poucos sua decadência.

^
lixo, preciso escrever, desesperado, não vejo um futuro, não sei se é isso que eu quero. como posso querer ser algo que eu não consigo mais fazer? um dia eu consegui escrever? vexame, pare de escrever em primeira pessoas, ninguém precisa saber que você é isso. não, não sou eu, é um personagem, meu heterônimo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

o fato de eu escrever nada esse mês não quer dizer que eu morri

apenas não tenho vontade de escrever nada, da mesma forma que não tenho vontade de conhecer mais ninguém, pelo simples fato de saber que esse alguém virá ou poderá vir a me machucar

textos podem me machucar, palavras podem me machucar, não quero me machucar com estórias que saem de mim

não quero me machucar com perspectivas inalcançáveis, não por querer se passar por intocável, mas por ter o poder de escolher e não querer ser mais ferido

situações que aparecem do nada e me fazem pensar que tudo vai ficar melhor, não passam de premissas para algo mal que irá acontecer

não sei se acredito nas pessoas, ou desacredito, isso me faz ficar mal, porque eu gostaria de acreditar e não ficar nessa dúvida

eu bloqueei o blog , mas vou desfazer isso, deixa estar como estar e ir como já foi

quarta-feira, 30 de julho de 2008

realmente

será tudo culpa minha? ou daqueles que me deixaram esse legado?
cada vez mais eu sinto que ninguém gostaria de se aproximar de mim, não é uma paranóia, não pode ser, não estou louco
não é, senão eu não estaria sozinho, eu devo ser uma desgraça
às vezes eu gostaria de apanhar, para acordar, apanhar, me fazerem sangrar, chutarem minha cabeça, me fazerem sangrar, isso que eu quero, é isso

não deviam me dar esperanças, não deviam

quando eu não consigo, eu me sinto pior, se havia uma esperança de eu conseguir
eu queria ser forte como os outros

sexta-feira, 18 de julho de 2008

um passo até esquecer
não existo em muitos momentos
um passo
outro logo depois
os pés doem
até esquecer
extrema disputa inconsciente
desisto, eu sou o fraco
a derrota é minha
até esquecer
logo depois

domingo, 13 de julho de 2008

apenas uma lembrança pode ser
aquela guardada onde for
lembrada depois de tempos
tantas pessoas se rodeiam
nomes, lugares, esperanças
escolhas que se vão em meio
as pequenas gotas de flores
o sabor de tudo condensado
e depois separado na cabeça
cada um fez parte de tudo
nomes, ocasiões, lembranças
rostos não esquecidos
átomo por átomo lembrado
o caminho separado
os passos adiantados
se resvalam nos atrasados
o que é tudo senão pensamentos
de cada um que passa
conceitos, mares, sorrisos
tristezas difundidas em lares
qual o objetivo que há de ser
da vida e seu prazer
siga, você vai até onde for
o meu coração segue
nomes, dores, lugares
aquele último passo
o caminho não acabou
apenas mudou os núcleos
e a marginalidade das escolhas
o primeiro toque no chão
e o impulso que eleva
a sua mente as mais altas nuvens

sábado, 12 de julho de 2008

meus olhos agora andam embaçados, não, apenas um deles. um se contrapõe ao outro, acho que estou perdendo o foco.

meu cérebro continua o mesmo em total discordância, ele me disse que se impor algo a mim, eu ia acordar. não acredito muito nisso, acho que tudo tem o seu tempo. mas até quando será o meu?

meu coração continua batendo, eu as vezes coloco minha mão sobre o peito e não o sinto, deve ser só impressão. eu me apaixono fácil, não devia, acho que me viciei nos amores platônicos, na idealização romântica.

minhas mãos agora estão frias, posso dizer que nem sempre são assim. acredito que seja o frio, sim...

tô perdendo o foco, é isso, sempre, o meu erro.

terça-feira, 8 de julho de 2008

pássaros em combustão caem do céu,
pontos pretos se destacam das nuvens cinzas
e ao sul um balão sobrevoa com suas fitas,
que com seus ecos vibram o que acontece ao norte
e repercutem-se na melancólica melodia da morte.
pássaros em chamas choram no chão,
ao chão se estendem todos que ali caíram,
onde tornam-se pequenas luzes na imensidão,
e do chão luzem os que dali saíram.