sábado, 3 de janeiro de 2009

três escolhas, depois duas, depois uma, logo nenhuma.
dois planetas se chocam e em um só se tornam, a água se espalha e se funde. e se torna em um turbilhão dentro. são dois olhos que se tornam e entornam. e como se esquecem das cores, se desfazem em preto e branco. e gotas d'água caem, pingos no chão se espalham. no rosto - nos olhos - vão na escuridão. olhar fixo no fim e encerra.

adeus para esquecer

angústia

domingo, 21 de dezembro de 2008

os irmãos

achou ser imortal
tudo era carnaval
mas acabou-se
como tudo acaba
em uma terça
quase quarta
ou um dia
quase mês
um ano
uma vida


15/12/2007

vejo você

na(da) janela vejo tudo
vejo você, vejo tudo
e o sol veio levar
as cinzas que me entupiam
e foi junto as utopias
me deixando sem ar
sem mais pra respirar

22/12/2007

sábado, 20 de dezembro de 2008

passado

o vento veio e mudou
tudo a minha volta
eu continuei aqui
como sempre sou
sem nenhuma revolta
eu continuei aqui
em meio ao que estou
querendo nada de volta
eu continuei aqui
eu continuei aqui
eu continuei aqui


15/12/2007

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

5:25 janela, nenhuma pessoa
quero viver 5:26

domingo, 2 de novembro de 2008

vejo dois braços circundarem a mim.
(até aonde vão?)
pra todos os lados que luzes apontarem.
eu me despeço, aceno um adeus.

vejo duas almas se calarem,
onde luzes calmas as envolvem.

não vejo mais nada a partir de agora,
apenas em minha mente os seus olhos.
eu flutuo por corredeiras, não sei pra onde vão
tão violentas, vou como um errante
até o fim dessas águas.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

melodrama barato

tão só, eu nunca fiquei com você
bêbado em meus olhos lacrimejados,
não enxergava nem mais um palmo,
caido no meu próprio sofá
o quão triste posso ficar
nem mais eu sei



por que você é dona da madrugada
faz tudo acabar do nada

clareia o céu, assopra o vento

no cabelo traz as estrelas
são as últimas coisas que eu vejo

tudo se desfaz em milhões de formigas
no dia, no sol, girando os dedos

na luz vejo o pó gravitando no ar
se ligando em diferentes pontos

e não mais me espantam as estrelas
que acabam incendiando meu rosto

utopia

eu preciso voltar a escrever, estou desesperado.

Levantou-se e apenas levantou-se. As mãos na coberta. Olhou em volta, nada. Já andando pela sala, não sentia mais vontade em viver. Seria mentira se dissesse que em algum dia acreditou em um futuro grandioso. Não, não seria. Em algum dia ele acreditou que faria algo importante, que em algum momento no futuro chegaria no seu auge, no apogeu da vida, onde depois disso viria aos poucos o declínio. Mas, não acreditava mais nisso, estava já em seu declínio. A começar por não ter mais vontade pela vida, não ter mais vontade.

Sua perna paralisou, um dia desses, caiu de joelhos. Estava em sua casa, ninguém havia visto, mas se sentiu totalmente humilhado, o que antes vinha dos outros, a humilhação, veio de sua própria perna que o deixou cair, início da sua queda. Não conseguiu se levantar imediatamente, não sabia o que estava acontecendo. Até que com muito esforço ficou de pé, empalidecido, quase sem-força. Não podia mais acreditar em seu próprio corpo.

O passado o formou, ou o deformou, ou qualquer coisa que esteja ligado com seu desenvolvimento. As escolhas foram dele, escolhas em situações impostas pela vida. Não se mostrou um bom sobrevivente, talvez seria chamado de escória da humanidade. Ou talvez um pobre fracassado que não soube se impor. Então, ele não havia de reclamar. Apenas olhar aos poucos sua decadência.

^
lixo, preciso escrever, desesperado, não vejo um futuro, não sei se é isso que eu quero. como posso querer ser algo que eu não consigo mais fazer? um dia eu consegui escrever? vexame, pare de escrever em primeira pessoas, ninguém precisa saber que você é isso. não, não sou eu, é um personagem, meu heterônimo.